Uma face de mim

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"Se os fatos estão contra mim, pior para os fatos." - Nelson Rodrigues

terça-feira, 6 de junho de 2017

Na iminência de te amar
Não há atrito que retraia
Esse coração já tão exposto
Sedento por uma mísera migalha

domingo, 28 de maio de 2017

Confusões mentais de uma madrugada de domingo

O entendimento de identidade recai como uma carga que te deixa vulnerável. Membros, mente e coração colocam todas as suas forças para equilibrar o peso de quem você era, com a expectativa de idealização e a constante troca de papéis na negociação do desejo final.
As medidas não são iguais. Cargas se deslocam da cabeça para os ombros. Dos ombros para o peito. Do peito para o sexo. Do sexo para os pés. Reversão.
Aversão.
Haveria de ser mais simples se não fosse o infindável murmurinho ecoando em todas as praças, documentos e beijos.
                                                             (Binarismo, binarismo)
Identificar-se é expor os órgãos na pele maltratada por si mesmo e pelos outros. É enfeitar e perfumar aquilo que tende a ser visto como esterco para ser vendido em uma indústria de inclusão ilusória e parcial.
Ser é alegorizar um monumento bizarro, perdido há milhares de consciências atrás. Ou encontrado há milhares de mortes - aparentemente - desconexas à frente.
A exposição de corpos preexiste à essência.
No final não existimos, apenas somos vistos.
E invisibilizados.
A carga que nos atormenta desaparece para deixar apenas uma corcunda anti-estética confundida com inferioridade.
Subalternos, afogamos nas margens da grande viagem de descoberta individual.
Dizem que somos apenas infantes brincando nas marés.
Mas somos todas as águas.
(E também somos todas as lágrimas)
Pois nossa identidade não há de se restringir ao mero som de tempestade.
Há de resistir.
Transformar e perdurar.
Se o oceano é uno, mas também dividido, eu também posso me descobrir retalhos e ainda assim conexo.

segunda-feira, 15 de maio de 2017

Marco de identidade

Tire suas normas de cima de mim
Não sou homem, tampouco mulher
Tire suas normas de cima de mim
Minha existência não te oprime
Não te faz ferida qualquer

terça-feira, 28 de março de 2017

Pela janela, vejo a chuva cair. Ela traz certa vida à cidade, tão desprovida de elementos orgânicos.
Orgânicos.
Algo dentro de mim aperta.
Fecho as cortinas. O que estou tentando me mostrar?
Em meio a tanta mobília empoeirada, não consigo definir o que sou eu e o que é decoração.
O papel de parede da sala tem mais veias do que acredito ligar meu coração ao resto do corpo.
Corpo.
Não sei se eu termino nos dedos que tocam a estante ou se somos parte da mesma paisagem patética e sufocante desse apartamento diluído em segundo plano pela vastidão do universo.
Verso.
"O som leve do trovão"
Lá fora a natureza traz validade à poesia.
Aqui dentro, o que traz validade a mim?
A poesia.
Eu posso não existir na História do que é Importante, mas estar eternizado em versos - ah! Só assim alguém pode dizer que viveu.


Viveste?

Sintonia